O cérebro é o órgão mais nobre do corpo humano. Se ele não estiver funcionando, não vale a pena estar vivo; tudo que o afeta é muito importante.

A comunidade científica tem estudado uma forma de avaliá-lo tanto no seu momento atual, como em suas possibilidades futuras.

A forma escolhida foram os acidentes vasculares cerebrais (AVC), também chamados de derrames.

Pesquisando grupos de voluntários e usando o ultrassom tipo Dopler Duplex, que não é invasivo, facilmente repetitivo e de baixo custo, foi possível chegar a algumas conclusões interessantes.

É a 3ª causa de morte da população como um todo, atinge pessoas mais velhas – até os 44 anos, somente 0.8% da população sofre derrame. Acima disso, a porcentagem sobe para 8.1%.

Os elementos que influenciaram de forma importante o estudo foram:

  1. a idade, como mencionado acima;
  2. o colesterol total, principalmente o colesterol de baixa densidade (IDL);
  3. fibrinogênio (proteína relacionada à coagulação );
  4. pressão alta;
  5. tabagism

 

Sempre que estiveram fora dos parâmetros de normalidade, eles afetaram de forma negativa as estatísticas.

Como o pescoço é de fácil acesso e as artérias que aí passam estão praticamente à flor da pele, esse local foi o escolhido para os estudos.

Num estudo amplo com quase 7. 000 voluntários saudáveis, os homens foram mais afetados que as mulheres – quase o dobro. Acima dos 50 anos de idade, foi encontrado um estreitamento importante das artérias em 6.4% das pessoas.

É previsível saber, com esses dados nas mãos, o que aconteceu em seguida com esses voluntários. Em um acompanhamento por 2 anos, 9% tinham tido algum tipo de derrame ou AVC.

Sabemos que após um episódio desses, alguma sequela fica, se não definitiva, de forma temporária, com grande prejuízo da qualidade de vida. Sem contar a insegurança emocional quanto ao futuro.

A doença vascular principal e que estamos descrevendo é a aterosclerose. Existem outras, como as patologias do coração, que podem jogar um coágulo na circulação, ir para o cérebro e causar dano, mas nada tão importante como o que estamos descrevendo.

Para poderem andar pelo corpo, as gorduras que circulam no sangue necessitam ser transportadas por uma proteína existente no sangue chamada lipoproteína (lipo vem de gordura). Existem duas principais: uma de cadeia longa e outra de cadeia curta. Esta última, muito pequena, se insinua dentro da parede das artérias, formando placas de gordura que estreitam a luz dos vasos ou fazem com que eles de rompam. O conteúdo desses vasos cai na corrente sanguínea, provocando uma embolia no cérebro. De uma forma ou de outra irá faltar sangue para ele.

Os sintomas podem ser localizados, como amortecimento ou falta de movimento de uma parte do corpo, ou dificuldade visual ou de fala .

Os sintomas também podem ser mais amplos, como redução da acuidade mental, certa demência tipo senilidade por impedimento de um raciocínio adequado.

O tratamento pode ser clínico, numa fase inicial, ou cirúrgico, na fase mais avançada.

Quem vai estabelecer esta conduta é o quanto essa placa de gordura está obstruindo o fluxo de sangue ou se ela corre o risco de desprender pedaços ou coágulos.

Ambas as situações são de alto risco. Existem medicações que, na fase inicial, podem trazer muito benefício, mas os pacientes exigem monitoramento contínuo, por exemplo: estatinas , AAS, anticoagulantes e, chegando agora, a rivaroxabana.

Mas ao menor sinal de risco para um derrame, a cirurgia se impõe.

Ela pode ser feita com uma incisão cirúrgica no pescoço, que atualmente é a mais comumente usada. Em casos excepcionais, pode ser feita por técnica endovascular através de angioplastia.

Uma vez que a doença aterosclerótica caminhar nessa direção, o uso de medicamentos que impeçam a formação dessas placas, tipo estatinas, os que impeçam a formação de coágulos, tipo antiagregantes plaquetários e anticoagulantes, e as cirurgias devem estar sempre de mãos dadas, pois uma lesão definitiva no cérebro sempre será uma catástrofe difícil de ser corrigida.